Após décadas de espera, finalmente os afixionados por Watchmen poderão ver nas telonas (ou aqui, no nosso “Especial Watchmen“) uma adaptação digna da HQ escrita por Alan Moore – o mesmo gênio por trás do maravilhoso V de Vingança. Quase que totalmente fiel à obra original, com exceção de alguns detalhes (como o final), o diretor Zack Snyder (300 de Esparta) acerta até mesmo nas adaptações, o que deve agradar aos fãs de carteirinha dos quadrinhos.
Diferente de outras histórias de “super-heróis”, o filme define um grupo de 6 justiceiros “mascarados” que não possuem (com exceção do Dr Manhattan) nenhum poder sobrenatural. Depois de serem afastados pelo então presidente Nixon da função de defensores da sociedade, um deles, Rorschach, descobre que Blake Edward, também conhecido como Comediante (Jeffrey Dean Morgan), foi violentamente assassinado. E com o objetivo de “solucionar” o crime, o cara tenta alertar os outros “Watchmen” sobre esse perigo, que pode matar à todos eles.
Através de flashbacks recorrentes, o enredo revela aos poucos detalhes sobre cada personagem (muito complexos, por sinal) e deflagra a relação entre eles. Com quase três (!) horas de duração, Watchmen – O Filme tem a mesma “pegada” da graphic novel: lento, complexo, e altamente detalhista. Assim, para aqueles que não querem encarar muita informação para pouca ação, nem vá assistir (como a esposa, que abandonou o barco na metade do filme…). Talvez por causa disso, o filme não agrade quem não tenha lido os 12 capítulos da HQ. Eu li apenas 6 até agora, mas confesso que não me decepcionei.
E por tudo isso, o que vemos na tela é uma verdadeira fidelidade de cada quadrinho, com todos os detalhes. As cores, os diálogos, os monólogos, os ângulos de cena e a perfeição dos personagens foram perfeitamente adaptados ao cinema. Porém, existem as exceções. E a mais complicada (ou não) é o final – que pode chatear alguns fãs mais febris. Mas mesmo assim, o final elege as mesmas “moralidades” e se mostra mais realista e perturbador do que o original, da HQ. Outra coisa que os fãs podem sentir falta são as “histórias paralelas”, que aparecem misturados nos quadrinhos e no final de cada edição.
O que mais chamou-me a atenção, entretanto, foi a trilha sonora noir, que vai desde Janes Joplin à Nat Kink Cole! Watchmen traz caricaturas complexas, que não se sabe se são heróis ou vilões, fica no ar. Eles são apenas humanos habilidosos e inteligentes, mas como qualquer um de nós.
Se aguentar a ansiedade, leia os quadrinhos antes (nesse link você baixa todos) e DEPOIS veja o filme. Sua experiência será melhor ainda. Garanto.
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